
Nas Relações Públicas existe uma verdade antiga, quase óbvia, mas frequentemente esquecida: as pessoas são a organização. Quando um líder ou colaborador tem um comportamento inapropriado que recebe atenção pública, o impacto raramente fica limitado ao indivíduo. A reputação da organização entra imediatamente em jogo.
Num contexto mediático e digital altamente sensível, uma atitude, uma declaração ou um comportamento fora dos valores esperados pode transformar-se rapidamente numa crise de comunicação.
O comportamento é considerado inapropriado quando viola normas éticas, sociais, legais ou culturais, especialmente quando contradiz os valores que a organização afirma defender.
Alguns exemplos comuns incluem:
Quando estes comportamentos se tornam públicos — através de denúncias, redes sociais ou cobertura mediática — deixam de ser um assunto interno.
Existem vários fatores que contribuem para a amplificação pública deste tipo de situações:
Líderes e representantes institucionais são vistos como modelos de comportamento. Quanto maior o cargo, maior a expectativa — e menor a tolerância ao erro.
Organizações que comunicam valores como ética, inclusão ou responsabilidade social são rapidamente escrutinadas quando surge um comportamento contraditório.
Um testemunho, um vídeo ou uma publicação pode ser partilhado milhares de vezes, muitas vezes sem contexto ou verificação prévia.
A opinião pública exige respostas rápidas e posicionamentos claros, especialmente em temas sensíveis.
Quando um comportamento inapropriado recebe atenção pública, os efeitos podem ser profundos:
Em muitos casos, o problema não é apenas o comportamento em si, mas a perceção de tolerância ou conivência por parte da organização.
As Relações Públicas têm um papel estratégico na gestão deste tipo de crise, atuando em articulação com a liderança e os departamentos jurídicos e de recursos humanos.
Entre as principais ações destacam-se:
Ignorar o problema, minimizar a gravidade ou adotar um discurso defensivo tende a agravar o impacto reputacional.
Casos de comportamento inapropriado colocam em evidência a importância da liderança ética. Não basta comunicar valores — é necessário vivê-los no dia a dia.
Organizações que enfrentam estas situações com seriedade, justiça e transparência conseguem transformar crises em momentos de reforço cultural e organizacional. As que falham, arriscam-se a perder muito mais do que imagem: perdem legitimidade.
O comportamento inapropriado de líderes ou colaboradores que recebe atenção pública representa um dos maiores desafios atuais das Relações Públicas. Num ambiente onde a reputação é construída com base na coerência entre discurso e ação, cada pessoa conta.
Mais do que gerir crises, as Relações Públicas devem promover uma cultura de responsabilidade, ética e alinhamento com os valores organizacionais. Porque, no fim, não é o que a organização diz que é — é o que as pessoas fazem em seu nome.
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