Ferrari em Colapso: A Tempestade Técnica e Emocional que Transformou 2025 no Ano Mais Difícil de Hamilton

Introdução

A temporada de 2025 tem sido implacável para a Ferrari e particularmente dura para Lewis Hamilton. O heptacampeão mundial atravessa o início mais difícil da sua carreira desde que entrou na Fórmula 1, em 2007. Sem pódios, longe da luta pelos primeiros lugares e frequentemente preso no pelotão intermédio, o piloto britânico transformou a frustração em desabafo público. Paralelamente, a Ferrari enfrenta uma crise de performance, credibilidade e alinhamento institucional.

O ponto mais simbólico dessa queda aconteceu em Las Vegas: pela primeira vez desde Abu Dhabi 2009, um Ferrari partiu do último lugar por razões puramente de desempenho. Hamilton terminou em 10.º mais tarde promovido a 8.º após desclassificações e desabafou, ainda no paddock:

“Sinto-me péssimo. É a pior temporada de sempre. Por mais que me esforce, tudo só piora.”

Esta afirmação expôs um problema profundo: como está a Ferrari a lidar com este cenário? E que estratégias internas estão ou deveriam estar a ser aplicadas para estancar a crise?

 

O colapso técnico e psicológico: Hamilton na época mais difícil da carreira

Hamilton chegou à Ferrari como um activo de reputação global, um símbolo de liderança e um catalisador de esperança. Contudo, após 22 corridas, continua sem um único pódio. A única nota positiva do ano foi a vitória na sprint de Xangai um brilho isolado numa época marcada por falta de ritmo, instabilidade e degradação acelerada de pneus.

O britânico não esconde a frustração:

“Nem sei quantos pontos temos. A este ritmo, está tudo perdido.”

Especialistas e antigos pilotos reconhecem também o desgaste emocional. Jenson Button, campeão de 2009, lamentou:

“É a primeira vez que o vejo verdadeiramente abatido. Mentalmente, pesa. Quando os maus resultados se acumulam, desgasta.”

Aqui surgem duas crises sobrepostas:

  • uma crise técnica, relacionada com o desempenho do monolugar;

  • uma crise humana, centrada no impacto psicológico sobre o seu principal piloto.

Em gestão de comunicação, isto exige abordagem imediata e integrada.

 

A crise institucional da Ferrari: resultados, pressão interna e desgaste mediático

A Ferrari caiu de vice-campeã em 2024 para quarta classificada em 2025, sem vitórias e longe dos rivais directos. O discurso interno, inicialmente optimista, deteriorou-se rapidamente.

O presidente John Elkann elevou a tensão:

“Os pilotos devem falar menos e focar-se na condução.”

A declaração revelou um problema estrutural: falta de alinhamento entre liderança, equipa técnica e pilotos. Em termos de reputação, este tipo de mensagem amplia a percepção pública de desorganização.

Já Frédéric Vasseur, chefe de equipa, procurou acalmar os ânimos:

“Compreendo totalmente a adrenalina e a emoção. O mais importante não é o que dizem em frente às câmaras, mas o que fazem na segunda-feira com a equipa para evoluir.”

A sua postura mostra tentativa de proteger Hamilton e, ao mesmo tempo, puxar a responsabilidade para a estrutura técnica.

 

Como está ou deveria estar a Ferrari a gerir esta crise?

Uma análise sob a lente das Relações Públicas e da gestão reputacional**

Perante uma combinação de quedas técnicas, tensões internas e críticas públicas, a Ferrari precisa de uma estratégia de comunicação clara e integrada. Alguns eixos são essenciais:

1. Unificação de discurso interno

A divergência entre declarações de Elkann, Vasseur e Hamilton agrava percepções negativas.
A Scuderia necessita de um discurso coerente que destaque responsabilidade colectiva e objectivos comuns.

2. Comunicação transparente sobre desenvolvimento do carro

A Ferrari tem sofrido com a narrativa de “estagnação”. Sem explicar os pacotes de evolução, prazos e metas realistas, perde o controlo da narrativa mediática e dos adeptos.

3. Protecção reputacional de Hamilton

Hamilton é um activo estratégico. O desgaste psicológico do piloto reflecte-se directamente na reputação da equipa.
A Ferrari deve reforçar publicamente o apoio ao piloto, valorizando o seu contributo interno e afastando interpretações de conflito.

4. Reforço da cultura interna de colaboração

A tensão entre “falar menos” (Elkann) e “compreender a emoção” (Vasseur) mostra défice de sintonia.
A Ferrari precisa de promover um ambiente que envolva pilotos nos processos, e não apenas como executores.

5. Estrutura formal de gestão de crise

O actual momento reúne todos os elementos de uma crise reputacional clássica:

  • maus resultados,

  • crítica pública,

  • divergência interna,

  • perda de confiança dos adeptos.

A Ferrari deve activar um plano formal com:

  • monitorização de sentimento,

  • respostas coordenadas,

  • mensagens-chave definidas,

  • cenário técnico e prazos monitorizados de forma transparente.

 

E agora? O que esperar de Hamilton e da Ferrari no resto do ano?

Para Hamilton, o maior desafio é emocional. O piloto mantém postura profissional, mas a pressão mediática e a falta de resultados tornam-se um teste ao seu equilíbrio psicológico e à sua autoridade dentro da equipa.

Para a Ferrari, a crise é estrutural. Se não reorganizar processos internos, estabilizar discurso e demonstrar evolução técnica clara, corre o risco de transformar 2025 numa temporada de ruptura não apenas de má performance.

O futuro depende de três factores:

  • tecnologia, com actualizações eficazes;

  • liderança, com narrativa forte e alinhada;

  • relação interna, com apoio aos seus pilotos e reabilitação emocional da equipa.

 

Conclusão

A época de 2025 transformou-se num caso exemplar de crise desportiva com implicações reputacionais profundas.
Hamilton vive a fase mais difícil da carreira.
A Ferrari vive a fase mais difícil dos últimos anos.
E ambos se reflectem mutuamente.

A reconstrução exige alinhamento emocional, estratégia técnica e comunicação clara — pilares que, neste momento, estão sob pressão.

Se a Ferrari conseguir reorganizar discurso, fortalecer cultura interna e apresentar resultados progressivos, poderá transformar esta fase numa oportunidade de reconstrução. Caso contrário, arrisca comprometer não apenas a época… mas a confiança no projecto.

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