Em 1984, James E. Grunig e Todd Hunt publicaram a obra Managing Public Relations, estabelecendo um dos quadros teóricos mais influentes na história das Relações Públicas. O modelo proposto pelos autores redefiniu a prática profissional ao deslocar o foco da simples difusão de informação para uma abordagem estratégica, baseada na gestão de relacionamento e na comunicação bidirecional.
Mais do que um contributo académico, o trabalho de Grunig e Hunt consolidou uma visão das RP como função de gestão — integrada na tomada de decisão organizacional — e não apenas como instrumento tático de promoção.
Grunig e Hunt identificaram quatro modelos que representam estágios distintos de maturidade na prática da comunicação organizacional.
Caracteriza-se por comunicação unidirecional, centrada na notoriedade e na exposição mediática. O objetivo principal é gerar atenção pública, muitas vezes com foco promocional.
Este modelo foi amplamente utilizado no final do século XIX e início do século XX, associado à promoção e ao espetáculo.
Também unidirecional, mas com compromisso maior com a veracidade e a transparência da informação.
Aqui, o profissional atua como fonte institucional, garantindo fluxo consistente de informação para a imprensa e outros públicos.
Introduz pesquisa e feedback, mas com foco em persuadir estrategicamente os públicos para alinhar comportamentos com os interesses da organização.
A organização utiliza dados para ajustar mensagens, mas não necessariamente para modificar suas próprias práticas.
Considerado o modelo mais avançado, propõe diálogo genuíno e equilíbrio entre interesses organizacionais e públicos estratégicos.
Neste modelo, a comunicação é instrumento de negociação, adaptação e construção de legitimidade institucional.
A principal inovação de Grunig e Hunt foi posicionar as RP como função estratégica de gestão. Isso implica:
O modelo bidirecional simétrico tornou-se referência para organizações que pretendem operar com legitimidade social, governança responsável e compromisso ético.
Embora formulado em 1984, o enquadramento permanece extremamente relevante. No ambiente digital, caracterizado por interatividade, transparência e vigilância pública permanente, o modelo simétrico revela-se ainda mais pertinente.
Plataformas digitais exigem:
Empresas que operam apenas em lógica unidirecional enfrentam maior risco de crise reputacional e erosão de confiança.
O trabalho de Grunig e Hunt marcou a transição das Relações Públicas de atividade operacional para função estratégica. Ao sistematizar os quatro modelos, os autores ofereceram uma matriz de análise que permite avaliar o grau de maturidade comunicacional das organizações.
Mais do que uma tipologia histórica, trata-se de um guia conceptual para profissionais que pretendem posicionar a comunicação como eixo estruturante da reputação, da legitimidade e da sustentabilidade organizacional.
Em síntese, compreender Grunig e Hunt é compreender a evolução das Relações Públicas enquanto disciplina estratégica, orientada para relacionamento, ética e valor institucional duradouro.
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