
As redes sociais tornaram-se um dos principais pontos de contacto entre organizações e públicos. No entanto, apesar da sua centralidade na comunicação contemporânea, muitas marcas continuam a utilizar os social media de forma superficial, tática e pouco estratégica, comprometendo não só resultados, mas também reputação, confiança e relacionamento a longo prazo.
O problema não está na ferramenta. Está na forma como é encarada.
Estar nas redes sociais não significa estar a fazer Relações Públicas. Muitas organizações reduzem a sua atuação digital à publicação regular de conteúdos, frequentemente orientados para autopromoção, métricas de vaidade e tendências momentâneas.
Likes, partilhas e visualizações são tratados como indicadores de sucesso, quando na realidade dizem pouco, ou nada, sobre confiança, credibilidade, perceção institucional ou qualidade da relação com os públicos.
Relações Públicas pressupõem estratégia, objetivos claros e gestão de relacionamento. Quando as redes sociais são usadas apenas como megafone de marketing, perdem o seu verdadeiro potencial enquanto ferramenta de RP.
Outro erro recorrente é a ausência de propósito comunicacional. Muitas marcas publicam conteúdos porque “é preciso publicar”, sem uma ligação clara aos seus objetivos estratégicos, valores institucionais ou posicionamento.
O resultado é uma comunicação fragmentada, incoerente e reativa, que gera ruído informativo, mas não constrói significado nem confiança.
Em Relações Públicas, cada mensagem deve responder a três perguntas fundamentais:
Quando estas respostas não existem, as redes sociais tornam-se apenas um canal de ocupação de espaço digital.
As redes sociais são, por natureza, espaços de diálogo. Ainda assim, muitas marcas adotam uma postura unidirecional: publicam, promovem e anunciam, mas não escutam.
Ignoram comentários, respondem de forma genérica ou defensiva e falham em interpretar sinais importantes vindos dos seus públicos. Esta atitude compromete um dos pilares das Relações Públicas: a escuta ativa e a gestão de expectativas.
Comunicação estratégica não é apenas emitir mensagens. É interpretar contextos, gerir perceções e adaptar o discurso à realidade dos públicos.
Um dos erros mais graves é tratar as redes sociais como um canal isolado, desconectado da reputação global da organização. Em muitos casos, o discurso digital não está alinhado com a comunicação institucional, a cultura organizacional ou o comportamento real da marca.
Esta incoerência gera desconfiança. Os públicos percebem rapidamente quando existe um desfasamento entre o que a marca diz nas redes e o que pratica fora delas.
Relações Públicas online exigem consistência narrativa, ética e alinhamento estratégico entre discurso, ação e valores.
Utilizar redes sociais sob a ótica das Relações Públicas implica:
Definir objetivos de relacionamento, reputação e influência;
Sem método, não há estratégia. E sem estratégia, não há Relações Públicas, apenas publicação de conteúdos.
As redes sociais são uma oportunidade poderosa para as Relações Públicas, mas apenas quando usadas com intenção estratégica, visão reputacional e foco no relacionamento.
Marcas que insistem numa presença superficial, centrada em números e tendências, não estão a comunicar melhor, estão apenas a falar mais alto num ambiente já saturado.
Comunicação estratégica não se mede pela quantidade de conteúdos, mas pela qualidade das relações que constrói.
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